Policiais se reúnem para debater a reforma da previdência

O presidente da Agenpol, Paulo Pignaton, a diretoria da entidade e Agentes de Polícia participaram de um debate sobre a reforma da previdência na manhã desta segunda-feira (01) no Tribunal de Contas do ES. Também participaram do evento os deputados federais Amaro Neto e Josias da Vitória, o senador Fabiano Contarato, associações e sindicatos que representam profissionais da Segurança Pública.

O Policial Rodoviário Federal e diretor jurídico da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais, Marcelo de Azevedo falou sobre o desgaste físico e mental, a atividade de risco e a restrição de direitos que são os pilares para a aposentadoria especial para o policial.

Em 2017 542 policiais morreram, um índice de 64,7 mortes por cem mil habitantes. O índice de mortes violentas é 2,1 vezes superior à média brasileira. 54% dos policiais são acometidos por doenças osteomusculares. 27% com doenças digestivas, 16% com doenças cardiovasculares e 13% são afastados do trabalho em decorrência direta ou indireta a atividade policial.

“Já o desgaste mental chega a níveis alarmantes. 94% dos policiais estão com alto ou médio nível de estresse ocupacional. 39% com alto estresse ocupacional e 36% com doenças mentais e comportamentais. O índice de suicídio entre os policiais é três vezes superior à média do Brasil. O acompanhamento psicológico do policial é deixado de lado pelos Estados e as entidades passam a cumprir esse papel. É algo grave que atinge a categoria”, esclarece Marcelo.

Como está a proposta da reforma da previdência hoje

A reforma da previdência em discussão no Congresso Nacional estabelece uma idade mínima de 55 anos para todos os policiais, sem regras de transição para quem está atualmente próximo da aposentadoria e sem qualquer distinção de gênero.

A reforma proposta estabelece ainda a possibilidade de aumento da idade mínima, de acordo com o aumento da expectativa de vida da população, sendo certo que muito em breve a idade mínima de um policial brasileiro pode chegar aos 60 anos e ir além.

Uma reforma previdenciária que deixe de diferenciar as especificidades da atividade policial levará o policial brasileiro a ser o mais sacrificado do mundo. Não é possível exigir uma segurança pública de qualidade sem investir em quem pode garantir isso.